Árvore do saber

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Fonte: site www.everafterguide.com

segunda-feira, 20 de março de 2017

MILAGRÁRIO PESSOAL: a vã luta com as palavras


O que é um milagrário pessoal? Bem, isso o leitor do belíssimo livro de José Eduardo Agualusa só vai descobrir ao ler a obra publicada no Brasil pela editora língua geral em 2010. Mas posso adiantar alguns elementos que julgo importantes e que merecem destaque. Mas antes quem é o autor?


Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiCNzTXxKsKkB0a5fx66x2l56-SplZ0zLqK7sqsm2cbavoUOl81MI09uaY3vqSSylvh2tuqWn3_ZBF0kcLcctRxVQpIkFADg377o_GDWxWUE2ih9oY5n2Rg4GjmTwV0RxmDkxSX3KHiMsmU/s1600/Jos%C3%A9+Eduardo+Agualusa.+%C2%A9+Reinaldo+Rodrigues+Global+Imagens.jpg
José Eduardo Agualusa é um escritor Angolano, que se destaca no cenário literário dos países de língua portuguesa, com obras como As mulheres de meu pai, O vendedor de passados, Estação das chuvas, Barroco tropical e muitos outros títulos.


Em milagrário pessoal o autor retoma seu estilo de escrita fantástica, misturando elementos do maravilhoso, o que faz o leitor viajar por eventos misteriosos que nem sempre são possíveis de desvendar. Como destaco no trecho inicial da obra, na qual já fica claro esse brincar e lutar constantes com as palavras,


“As palavras, como os seres vivos, nascem de vocábulos anteriores, desenvolvem-se e fatalmente morrem. As mais afortunadas reproduzem-se. Há as de índole agreste, cuja simples presença fere e degrada, e outras que de tão amoráveis tudo a sua volta suavizam. Estas iluminam, aquelas confundem. Umas são selvagens, irascíveis, cheiram mal dos pés, fungam e cospem no chão. Outras, logo ao lado, parecem altivas e delicadas orquídeas.” (Agualusa, 2010, p. 15)


A obra conta a história de um renomado professor de filologia em fim de carreira e uma aluna de doutorado em linguística que estuda o surgimento diário de novos neologismos em jornais, blogs e outros veículos de comunicação, a partir de um programa de computador.

Até aí nenhuma novidade, mas a trama ganha força quando o professor se apaixona por Iara, a aluna de doutorado, que tem esse nome sugestivo por sua capacidade de despertar nos homens o desejo, pois é detentora não só de grande inteligência, mas de delicada beleza.

No momento em que Iara, em suas pesquisas sobro os neologismos, se depara com um conjunto de palavras misteriosas as quais ela não consegue desvendar suas origens, começa a busca por dar sentido a esse conjunto de palavras, o que termina por levar Iara e o seu professor por cidades em Portugal como Lisboa, depois para o Brasil e Angola, unido a essa busca apresenta-se também as ricas memórias do professor que antes de ser professor, viveu experiências que interligam seu passado a esses três espaços: Brasil, Portugal e Angola.

Em meio a essa busca por respostas, mais dúvidas surgem e uma língua misteriosa parece ser a origem das palavras encontradas por Iara, a Língua dos Pássaros, uma língua que teria existido em Angola, e veio para o Brasil nas caravelas dos colonizadores portugueses, ou seria apenas fruto dos sonhos do veterano professor apaixonado por Iara?

Milagrário pessoal é uma dessas obras que lembram clássicos como Dom Casmurro, de Machado de Assis, e as perguntas que não tem resposta, e mesmo aquelas que tem resposta, deixo aos leitores apenas a certeza que não se arrependerão de dar uma vista de olhos nesse Milagrário Pessoal.

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